Eu ainda te amo, ridículo eu sei. Após todos os anos, todas as primaveras e invernos, encontros e desencontros, todos anos de hiatos, ainda é amor. Amor daqueles que fazem o peito doer só de pensar na inicial do seu nome. Não era pra ser, e saber disso só faz a dor aumentar porque no fundo eu sei, você sabe que a gente só fica bonito no papel. E eu sempre recorro a caneta, nela me jogo e me afogo no nosso não felizes pra sempre, choro e transbordo no papel o quanto queria a gente, e o quanto continuar querendo só faz maltratar meu coração.
Te amo, e sei que não é novidade, que esse sentimento já virou página virada.
Sei que você, o porteiro do seu prédio, sua mãe, e até o seu antigo vizinho sabem que ainda existe muito de mim aí dentro, e que me carregar por todos os cantos tem se tornado cansativo e irritante. Que seu olhar perdido nunca é perdido de verdade, me diz ela já percebeu que quando pensa em mim sua respiração muda? Aposto que sim, mas ela prefere fingir que não vê, assim como você adora fingir que já somos cinzas.
Me conta como é continuar apaixonado pela mesma pessoa a mais de uma década sabendo que vocês dois foram feitos pra não colidir na mesma órbita nunca. Se não quiser falar a gente pode ficar apenas um do lado do outro assistindo todos os nossos quereres que jamais serão.
Senti sua falta hoje, e a falta foi do tamanho do amor que ainda carrego escondido nesses pedaços de papéis, tão inúteis como aquela vez que tentei aprender violão. Amo você, sem firulas, sem vírgulas, ou textão, é só amor, e as vezes o amor não tem nada de bonito.











