quarta-feira, 11 de março de 2020

É SÓ AMOR


Eu ainda te amo, ridículo eu sei. Após todos os anos, todas as primaveras e invernos, encontros e desencontros, todos anos de hiatos, ainda é amor. Amor daqueles que fazem o peito doer só de pensar na inicial do seu nome. Não era pra ser, e saber disso só faz a dor aumentar porque no fundo eu sei, você sabe que a gente só fica bonito no papel. E eu sempre recorro a caneta, nela me jogo e me afogo no nosso não felizes pra sempre, choro e transbordo no papel o quanto queria a gente, e o quanto continuar querendo só faz maltratar meu coração.

Te amo, e sei que não é novidade, que esse sentimento já virou página virada.
Sei que você, o porteiro do seu prédio, sua mãe, e até o seu antigo vizinho sabem que ainda existe muito de mim aí dentro, e que me carregar por todos os cantos tem se tornado cansativo e irritante. Que seu olhar perdido nunca é perdido de verdade, me diz ela já percebeu que quando pensa em mim sua respiração muda? Aposto que sim, mas ela prefere fingir que não vê, assim como você adora fingir que já somos cinzas.

Me conta como é continuar apaixonado pela mesma pessoa a mais de uma década sabendo que vocês dois foram feitos pra não colidir na mesma órbita nunca. Se não quiser falar a gente pode ficar apenas um do lado do outro assistindo todos os nossos quereres que jamais serão.
Senti sua falta hoje, e a falta foi do tamanho do amor que ainda carrego escondido nesses pedaços de papéis, tão inúteis como aquela vez que tentei aprender violão. Amo você, sem firulas, sem vírgulas, ou textão, é só amor, e as vezes o amor não tem nada de bonito.

sábado, 18 de janeiro de 2020

Ontem Quis Te Ligar


Ontem quis falar contigo, eu sei. Já assistimos esse mesmo filme um milhão de vezes na sessão da tarde, mas meu coração ainda insiste em querer uma reprise, mesmo sabendo que teu passatempo preferido é faze-lo se quebrar em mil pedaços, e depois de tudo ir embora dizendo que não teve intenção e que a culpa é minha por querer alguém quebrado como você. Eu vou chorar, vou dizer que é a ultima vez que te convido pra entrar, vou querer difamar o teu nome por toda cidade, vou amaldiçoar o dia que você nasceu, me ajoelhar no tapete da sala e recolher todos os cacos desse meu coração idiota, alguns cacos vão me cortar, e vou gritar de dor, mas continuar me juntando por dias. Viu? Já decorei esse filme. O grande problema, é que mesmo conhecendo esse final até de trás pra frente eu continuo tendo esperança de que algo mude.

Procurei teu número nos meus contatos até que lembrei que te apaguei deles depois da nossa ultima briga, como se eu precisasse salvar teu número, como seu eu não soubesse ele de cor, como se eu não pudesse até cantarolar ele. Ridículo. Eu sei. A pessoa que disse que o amor é um sentimento bonito, certamente estava embriagada em uma madrugada pelas ruas de Paris, porque o nosso amor, quer dizer, o meu amor, esse é ferrado desde o dia que nasceu. A verdade é que já fiz até simpatia pra ver se esse sentimento desgruda de mim, fiz limpeza espiritual, procurei uma resposta na astrologia, até me certifiquei de que você não era meu carma de vidas passadas, mas nada, absolutamente nada tira você desse pedestal. Merda de amor.

Queria do fundo da minha alma não te convidar para minha vida, não mudar de assunto nas conversar com os amigos quando eles perguntarem se já deixei você no passado, como é que faço para explicar pra eles que o culpado é meu coração que insiste em bombiar você por todo meu corpo, que não sei como arrancar parte de mim sem que isso me mate também.

Eu te amo, é eu sei que você sabe. Mas é que dessa vez pela primeira vez eu não te liguei entende? Isso nunca tinha acontecido, mas enquanto meu coração brigava com meu amor próprio, eu apenas desliguei o celular e fui ler um livro que não tivesse uma mocinha desesperada por um amor, foi uma noite longa, mas 350 páginas foram um marco na minha vida, 350 páginas que não tentei te encaixar em qualquer parte, que não suspirei ao pensar com qual menininha sua noite estava acabando. Percebe? Acho que não. Eu te amo, mas pela primeira noite desejei mais a minha companhia do que teus lábios sobre meu pescoço, pela primeira vez voltei a ser minha, e meu deus como senti falta disso.
Ontem eu quis te ligar, mas pela primeira vez em quase uma década o som da sua voz cheia de mentiras não foi tão forte do que minha vontade de ter paz. Só queria que soubesse, mas pensando bem. Esquece, eu já comecei.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

O ESPETÁCULO NÃO PODE PARAR


Não tenho escrito muito, assim como tão pouco tenho lido. Não tenho saído, não ouso conversar sobre como vai minha vida. Esse tipo de conversa ou pensamento virou um grande elefante branco na sala. Pessoas me perguntam se estou melhor com a seguinte afirmação " Você se sente melhor? Me parece melhor.", logo as respondo com o querem ouvir.
Fico nessa farsa de que o mundo voltou a ser meu lugar favorito, que foi apenas uma página triste e sombria, mas tudo bem. Já superei. Aliás, para não haver desconfortos arranquei a maldita página. Estou bem, olha como sorrio contente pra foto, olha a maquiagem impecável. O espetáculo não pode parar, a platéia exige alegria e risadas de doer a barriga, e  eu as dou. Esforço meu corpo até sentir minhas entranhas se contorcerem em um apelo inútil para que eu pare.
A grande verdade é que todo palhaço depois que as cortinas descem, e deixa a maquiagem cair, o que sobra é apenas o homem feito de carne. Uma carne ferida, que por vezes fede, mas que no calor do espetáculo ninguém sente o mau odor, mas ele está ali. Juntamente com as inúmeras cicatrizes cheias de quiloideis por não conseguirem cicatrizar direito. No fim do espetáculo, estou triste e sombria, meu vazio é cada vez maior, na escuridão da coxia libero todo tipo de dor que sufoco, mas tudo isso é por pouco tempo. Nem mesmo a dor, ou o grande vazio que sou tem o privilégio de durar por muito tempo, afinal o espetáculo tem que continuar.
É por isso que não tenho escrito, no papel não sei fingir felicidade, não sei dizer que superei meus pesadelos. Não consigo deixar de vomitar toda dor que me corrói de dentro pra fora.
No papel eu transbordo com a fúria de uma grande tempestade. Aqui por alguns minutos sou apenas eu. Uma pessoa quebrada, consciente de que nada passou, está tudo muito bem socado pra não transparecer.
Vamos combinar algo? Eu finjo que não vomitei isso aqui, e você por sua vez finge que nunca leu. Assim é mais fácil, assim podemos continuar com o grande circo que virou minha vida.
O próximo passo é você me perguntar se estou bem, então podemos continuar com a dança.

sábado, 10 de agosto de 2019

HOJE EU VENCI


Hoje eu saí de casa. Parece algo simples, rotineiro, trivial até, mas depois que vi minha vida jogada dentro de um furacão sair da cama, me vestir e até tomar banho em alguns dias é como lutar uma guerra contra um samurai com a faca velha de cortar pão, o fracasso é iminente.


Hoje eu venci. Venci meu corpo que se recusava a sair do sofá, venci minha mente que criou inúmeros motivos para eu ficar em casa, venci o medo e minha ansiedade que me causa dores e falta de ar. Venci o péssimo dia de ontem em que não consegui nem ir trabalhar, venci o cid. F41.2. Hoje eu venci. Venci a mim mesma.

Me arrumei, me senti bonita, passei perfume enquanto minha mente gritava que eu não conseguiria. Sorri para todos, mas por dentro sentia tudo ruir. Mas dessa vez não deixei minha mente ganhar, HOJE NÃO gritei como se fosse Arya Stark.
Entrei no carro, coloquei uma música animada, abri só um pouquinho a janela e me permitir respirar.

Hoje pela primeira vez depois de muito tempo me senti de novo no controle. E o melhor foi rever uma grande amiga, sentir seu abraço, saber que não estou só nessa longa caminhada e que tudo bem pra ela os "deixa para outro dia" que recebe de mim, porque além de me amar ela me respeita.
Tô feliz, então quis escrever para quando minha mente tentar acabar comigo eu grite HOJE NÃO.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

ESPERA


Estou deprimida. É isso. Não tem firulas, não tem desculpas ou justificativas pra fingir que são apenas dias ruins. É mais que isso, é depressão, é a fase mais ferrada da minha vida.
A sensação é de estar sendo atropelada por um caminhão várias e várias vezes seguidas, não há intervalo pra respirar ou fazer curativos, não existe tempo pra gritar socorro ou tentar me erguer. Tudo que existe é o caminhão e eu. Minha dor e eu, minha mente e eu, minha ansiedade e eu, pois é. Talvez você não saiba mais também tenho uma maldita ansiedade que faz meu peito parecer uma bomba relógio, que me deixa acordada de noite e com cara de morta pela manhã, obrigada maquiagem por existir.

Queria dizer que o tratamento está fazendo efeito, que os remédios me acalmam, que a terapia ajuda e que logo menos na próxima foto que eu postar meu sorriso e felicidade serão reais, só que não vou. Não posso. Talvez eu nunca me livre das drogas dos remédios e das conversas sem fim com alguém que diz que as coisas uma hora vão se ajeitar, mas talvez possa ser que as coisas realmente melhorem no final do mês ou do ano quem é que sabe?
Sei que me olhando eu pareço feliz, filhos lindos e saudáveis, esposo nota dez, um emprego estável, amigos ainda que poucos, uma casa boa, enfim qual o motivo para ter depressão? É aí que mora o segredo, aparentemente essa doença não liga pra nada disso, ela não se interessa por quem você é ou pelo que tem. Dane-se sua vida boa, dane-se tudo.

Minha mente é morada pra todo tipo de pensamento inútil, ela é um labirinto que por mais que eu corra não existe saída, no final eu sempre perco.
Hoje enquanto espero por mais uma consulta minha mente vaga para o primeiro dia que estive aqui, foi um dia horrível, mas agora olhando tudo que já passou depois disso, acho mesmo que foi um dia bom, os piores vieram depois dele. As crises de pânico, a inércia, a vontade de ficar o dia todo na cama, a insônia durante as madrugadas, as crises de choros, os desejos súbitos de acabar com tudo, de apenas me desligar.

Um lembrete que é bom gravar no espelho "aproveite um dia bom, eles são raros". Imagino que o médico vai dizer que isso é um processo, talvez mudar a medição e por aí vai.
Tenho escrito bastante nos últimos tempos, dizem que ajuda. Sinceramente não sinto nada, nada mesmo.
Estou deprimida, ansiosa e chorosa. E só escrevi isso porque não sei o que fazer enquanto espero por um médico que não sabe nada sobre mim, mas acha que sua profissão pode me curar.